quarta-feira, 22 de outubro de 2008

QUEM ÉS TÚ?!?


Quem é você?
Do que você gosta?
Em que acredita?

O que deseja?

Dia e noite somos questionados e as
respostas costuma ser inteligentes, espirituosas e decentes.

Tudo para causar a melhor impressão aos nossos inquisidores.

Ora, quem sou eu!

Sou do bem, sou honesto, sou perseverante, sou
bem-humorado, sou aberto - não costumamos economizar
atributos quando se trata da nossa própria descrição.Do que gostamos?
De coisas belas.
No que acreditamos?
Em dias melhores.
O que desejamos?
A Paz Universal.

Enquanto isso, o demônio dentro de nós, revira
o estômago e faz cara de nojo.

É muita santidade para um pobre-diabo, ninguém e
tão imaculado assim!

A despeito do nosso inegável talento como divulgadores
de nós mesmos e da nossa falta de modéstia ao descrever
nosso perfil no Orkut, a verdade é que o que dizemos, não tem tanta importância.

Para saber quem somos, baste que se observe o que
fizemos da nossa vida.
Os fatos revelam tudo, as atitudes confirman.

O que você diz - com todo respeito - é
apenas o que você diz!

Quantos amigos você manteve?

Em que consiste sua trajetória amorosa?

Como educou seus filhos?

Quanto houve de alegria no seu cotidiano?

Se ficou devendo dinheiro.

Como lidou com tentativas de corrupção?

Em que circunstâncias mentiu?

Como tratou empregados, balconistas, porteiros, garçons?

Que impressão causou nos outros - não
naqueles que o conheceram por cinco dias, mas
com quem conviveu por vinte anos, ou mais?

Quantas pessoas magoou na vida?

Quantas vezes pediu perdão?

Quem vai sentir sua falta?

Pra valer! Vamos lá!

Podemos maquiar algumas respostas ou podemos
silenciar sobre o que não queremos que venha à tona. Inútil.
A soma dos nosos dias assinará este inventário.
Fará um levantamento honesto.
Cazuza já nos cutucava: "... suas idéias correspondem aos fatos?"
De novo: o que a gente diz, é apenas o que a gente diz.
Lá no finalzinho da vida que construímos é que se
revelará o mais eficiente detector de mentiras.

Entre a data do nosso nascimento e a desconhecida
data da nossa morte, acreditamos ainda estar no meio
do percurso, então seguimos nos anunciando como bons
partidos, incrementamos nossas façanhas, abusamos
da retórica como se ela fosse uma espécie de photoshop
que pudesse sumir com nossos defeitos.


Mas é na reta final que nosso passado nos
calará e responderá por nós.

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