quarta-feira, 25 de abril de 2012

A útima crônica.


A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.

O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."

Fernando Sabino

terça-feira, 24 de abril de 2012

¬Era uma vez.




Era uma vez um dia comum, começou comum e deveria terminar comum... o que não devia ser nada, se transformou em amizade... o que não devia passar de amizade, se transformou em um "sentir falta"... o que não podia passar de um "sentir falta", se transformou em sentimento... o que não podia chegar a sentimento, se transformou em dor...E eu me perguntei, será que existe algo ainda pra se transformar? Toda aquela metamorfose de sentimentos, se transformou em amor.


domingo, 22 de abril de 2012

¬Eu.


Ultimamente...
Mais velha que ontem.
Mais experiente hoje.
Mais sábia amanhã.
Ontem mais lágrimas.
Depois, mais resistência!
Antes mais ingênua
Ainda ingênua...
Amanhã talvez entenda.
Hoje questiono.
Ontem duvidei.
Hoje te tenho...
Amanhã não sei...
No início também não sabia.
No fim a gente sempre se surpreende.
No meio... Em cima do muro... De molho... Que agonia! Não quero mais nada morno.
Não me contento com pouco.
Não aceito meio termo.
Nem segunda opção.
Hoje me conheço.
Hoje me amo.
Amanhã
Sempre
Eu.

(Altora; Carolina Salcides)

sábado, 21 de abril de 2012

¬Sensação unica.











Estar gravida foi conviver com uma complicada gangorra de emoções!
Gestar é lidar com algo completamente novo, desconhecido. Ficar feliz, chorar por qualquer coisa. O primeiro trimestre: foi um período de descobert
as e de muita instabilidade. Meu corpo ainda não tinha se modificado muito, mas dúvidas não faltavam me perguntava se era a hora certa para ter um bebe? Se seria boa mãe? Se o bebê ia ser perfeito?
Segundo trimestre: Me veio um período de paz .meu corpo já tinha assumido os contornos da gravidez, meu bebê já aparecia na tela do ultra-som. Meu bebê já mexia. Descobri que era uma menina!!

E no começo do terceiro trimestre: De novo as preocupações com o bebê voltam à tona, acompanhada da ansiedade e temores em relação ao parto. Pra piorar minha preocupação minha menininha se antecipou, a bolsa rompeu dia 28.02.12.

E na manhã do dia 01.03 Nasce minha pequena Mariane, pesando 1,865kg. Meu presente de Deus!!

(FÁ LÁ RÉ SI LÁ SOL MI)¬